After-market da B3 e after-hours dos EUA: horários
A B3 fecha o after-market e Nova York segue negociando. Veja a regra da janela brasileira, o pregão estendido em horário de Brasília e o custo no spread.
Você fecha o home broker no fim da tarde, o after-market da B3 encerra em poucos minutos e fica a pergunta: o que ainda negocia depois disso? A janela extra da B3 é curta e tem trava de preço de 2% sobre o fechamento. O pregão estendido dos Estados Unidos é outra coisa: vai até as 20h de Nova York, sem trava equivalente, e cai bem no meio da sua noite em horário de Brasília.
Como funciona o after-market da B3
No mercado à vista, o pregão regular roda das 10h às 16h55, e o call de fechamento forma o preço de fechamento entre 16h55 e 17h. Depois dele vem o after-market, uma sessão extra de cerca de meia hora, antecedida por uma fase de cancelamento de ofertas.
O horário exato dessa janela não é o mesmo o ano inteiro. A tabela oficial de horários de negociação da B3 publica um conjunto de horas para o período em que vigora o horário de verão dos Estados Unidos e outro para fora dele, e as duas janelas que circulam nas fontes públicas são 17h30 às 18h e 18h25 às 18h45. Confirme a tabela vigente no site da B3 ou no seu corretor antes de enviar a ordem. As regras, essas sim, são estáveis:
- Só negocia o ativo que já teve negócio na sessão regular do mesmo dia. Opção e futuro ficam de fora.
- O preço fica preso a uma faixa de 2% para cima ou para baixo do fechamento da sessão regular, conforme o item 7.4.1 do Manual de Procedimentos Operacionais do segmento listado da B3.
- Oferta registrada ou alterada fora dessa faixa é cancelada.
- Há teto financeiro por investidor na sessão, definido no manual vigente.
Guarde a trava de 2%. Ela é a diferença conceitual mais importante entre a sessão estendida brasileira e a americana, onde não existe faixa equivalente.
O pregão americano em horário de Brasília
Nos Estados Unidos a sessão regular vai das 9h30 às 16h de Nova York. Em volta dela existe o pré-mercado, que começa às 4h, e o after-hours, que segue até as 20h. O Brasil não adota horário de verão desde 2019, então a conversão depende apenas do lado de lá: entre março e o começo de novembro, Brasília está uma hora à frente de Nova York; no resto do ano, duas horas.
No calendário de setembro de 2026, o seu relógio marca:
- Pré-mercado americano: 5h às 10h30 de Brasília.
- Sessão regular: 10h30 às 17h de Brasília.
- After-hours: 17h às 21h de Brasília.
Quando o after-market da B3 abre, portanto, a sessão regular americana ainda está de pé ou acabou de fechar, e o after-hours de lá ainda tem horas pela frente. O guia de pré-mercado e after-hours nos EUA detalha o que acontece dentro de cada fase.
O painel abaixo distribui o volume negociado em cinco papéis líquidos, hora a hora, com as duas etiquetas de relógio lado a lado. A etiqueta de Brasília segue o calendário vigente nas sessões mais recentes da amostra.
| hora_nova_york | hora_brasilia | pct_do_volume |
|---|---|---|
| 04:00 | 05:00 | 0.48 |
| 05:00 | 06:00 | 0.17 |
| 06:00 | 07:00 | 0.18 |
| 07:00 | 08:00 | 0.7 |
| 08:00 | 09:00 | 1.19 |
| 09:00 | 10:00 | 16 |
| 10:00 | 11:00 | 16.17 |
| 11:00 | 12:00 | 12.11 |
| 12:00 | 13:00 | 9.33 |
| 13:00 | 14:00 | 8.21 |
| 14:00 | 15:00 | 9.13 |
| 15:00 | 16:00 | 18.64 |
| 16:00 | 17:00 | 6.03 |
| 17:00 | 18:00 | 1.26 |
| 18:00 | 19:00 | 0.23 |
| 19:00 | 20:00 | 0.18 |
O SQL exato por trás de cada número
SELECT
hora_nova_york,
hora_brasilia,
round(100 * volume_total / sum(volume_total) OVER (), 2) AS pct_do_volume
FROM
(
SELECT
concat(leftPad(toString(toHour(toTimeZone(window_start, 'America/New_York'))), 2, '0'), ':00') AS hora_nova_york,
argMax(
concat(leftPad(toString(toHour(toTimeZone(window_start, 'America/Sao_Paulo'))), 2, '0'), ':00'),
window_start
) AS hora_brasilia,
sum(volume) AS volume_total
FROM global_markets.delayed_stocks_minute_aggs
WHERE ticker IN ('AAPL', 'MSFT', 'NVDA', 'SPY', 'KO')
AND window_start >= today() - 45
AND window_start < today() - 2
AND toHour(toTimeZone(window_start, 'America/New_York')) BETWEEN 4 AND 19
GROUP BY hora_nova_york
)
ORDER BY hora_nova_yorkA amostra cobre 16 faixas de uma hora, das 04:00 de Nova York, quando o pré-mercado abre, até as 19:00, última hora do after-hours. A primeira faixa concentra 0.48% do volume do período e corresponde às 05:00 de Brasília. A última tem 0.18%, já às 20:00 no seu relógio. O miolo do gráfico, entre a abertura e o fechamento regulares, é onde o volume mora.
Quanto do volume sai fora do pregão regular
Somando as duas pontas do dia dá para medir a fatia que imprime fora das 9h30 às 16h de Nova York, papel a papel.
| ticker | pct_pre_mercado | pct_after_hours | pct_fora_do_pregao |
|---|---|---|---|
| SPY | 2.58 | 13.24 | 15.82 |
| NVDA | 4.03 | 6.91 | 10.93 |
| MSFT | 3.77 | 6.26 | 10.03 |
| AAPL | 3.38 | 5.1 | 8.49 |
| KO | 0.76 | 5.49 | 6.26 |
| TSLA | 2.65 | 2.19 | 4.84 |
O SQL exato por trás de cada número
SELECT
ticker,
round(100 * sumIf(volume, et_min < 570) / sum(volume), 2) AS pct_pre_mercado,
round(100 * sumIf(volume, et_min >= 960) / sum(volume), 2) AS pct_after_hours,
round(100 * sumIf(volume, et_min < 570 OR et_min >= 960) / sum(volume), 2) AS pct_fora_do_pregao
FROM
(
SELECT
ticker,
volume,
toHour(toTimeZone(window_start, 'America/New_York')) * 60
+ toMinute(toTimeZone(window_start, 'America/New_York')) AS et_min
FROM global_markets.delayed_stocks_minute_aggs
WHERE ticker IN ('AAPL', 'MSFT', 'NVDA', 'TSLA', 'SPY', 'KO')
AND window_start >= today() - 45
AND window_start < today() - 2
)
GROUP BY ticker
ORDER BY pct_fora_do_pregao DESCNa amostra, SPY é o papel com a maior fatia negociada fora da sessão regular: 15.82% do volume, sendo 2.58% no pré-mercado e 13.24% no after-hours. Na outra ponta, TSLA fica em 4.84%. É volume de verdade, e ainda assim é pouco perto do pregão regular. Quem entra nessa janela divide o livro com muito menos gente.
Quanto custa negociar na janela estendida
Livro mais fino aparece no spread, a distância entre a melhor oferta de compra e a melhor de venda. O painel abaixo pega um dia inteiro de cotações de AAPL, 16 de setembro de 2026, e mede a mediana do spread cotado numa janela de cinco minutos no fim de cada hora, das 4h às 20h de Nova York. O valor sai em pontos-base: 1 ponto-base é 0,01% do preço.
| hora_nova_york | hora_brasilia | spread_mediano_bps | vezes_o_menor_spread |
|---|---|---|---|
| 04:45 | 05:45 | 11.8 | 19.7 |
| 05:45 | 06:45 | 4.5 | 7.5 |
| 06:45 | 07:45 | 8.5 | 14.2 |
| 07:45 | 08:45 | 6.9 | 11.5 |
| 08:45 | 09:45 | 2.4 | 4 |
| 09:45 | 10:45 | 1.5 | 2.5 |
| 10:45 | 11:45 | 1.5 | 2.5 |
| 11:45 | 12:45 | 1.2 | 2 |
| 12:45 | 13:45 | 0.9 | 1.5 |
| 13:45 | 14:45 | 0.6 | 1 |
| 14:45 | 15:45 | 1.5 | 2.5 |
| 15:45 | 16:45 | 0.9 | 1.5 |
| 16:45 | 17:45 | 3.2 | 5.3 |
| 17:45 | 18:45 | 2.4 | 4 |
| 18:45 | 19:45 | 3.9 | 6.5 |
| 19:45 | 20:45 | 11.4 | 19 |
O SQL exato por trás de cada número
SELECT
hora_nova_york,
hora_brasilia,
spread_mediano_bps,
round(spread_mediano_bps / min(spread_mediano_bps) OVER (), 1) AS vezes_o_menor_spread
FROM
(
SELECT
concat(leftPad(toString(toHour(et)), 2, '0'), ':45') AS hora_nova_york,
concat(leftPad(toString(toHour(bsb)), 2, '0'), ':45') AS hora_brasilia,
round(quantileDeterministic(0.5)(spread_bps, sequencia), 1) AS spread_mediano_bps
FROM
(
SELECT
toTimeZone(sip_timestamp, 'America/New_York') AS et,
toTimeZone(sip_timestamp, 'America/Sao_Paulo') AS bsb,
toUInt64(sequence_number) AS sequencia,
10000 * (toFloat64(ask_price) - toFloat64(bid_price))
/ ((toFloat64(ask_price) + toFloat64(bid_price)) / 2) AS spread_bps
FROM global_markets.cache_stocks_quotes
WHERE ticker = 'AAPL'
AND sip_timestamp >= '2026-09-16 08:00:00'
AND sip_timestamp < '2026-09-17 00:05:00'
AND bid_price > 0
AND ask_price > bid_price
AND toMinute(toTimeZone(sip_timestamp, 'America/New_York')) >= 45
AND toMinute(toTimeZone(sip_timestamp, 'America/New_York')) < 50
)
GROUP BY hora_nova_york, hora_brasilia
)
ORDER BY hora_nova_yorkÀs 04:45 de Nova York, ou 05:45 de Brasília, a mediana foi de 11.8 pontos-base, 19.7 vezes o spread da hora mais estreita do dia. No fim do after-hours, às 20:45 de Brasília, a mediana ficou em 11.4 pontos-base. E isso num dos papéis mais líquidos do mundo. Em nome menos negociado, a distância entre as pontas do dia costuma ser maior ainda.
Novembro e março mexem na sua noite
Duas vezes por ano o relógio americano anda e o brasileiro fica parado. O painel abaixo pega o horário de Brasília do primeiro minuto da sessão regular americana, mês a mês, ao longo do último ano.
| mes | abertura_mais_cedo | abertura_mais_tarde | abertura_em_horas |
|---|---|---|---|
| 2025-08 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
| 2025-09 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
| 2025-10 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
| 2025-11 | 11:30 | 11:30 | 11.5 |
| 2025-12 | 11:30 | 11:30 | 11.5 |
| 2026-01 | 11:30 | 11:30 | 11.5 |
| 2026-02 | 11:30 | 11:30 | 11.5 |
| 2026-03 | 10:30 | 11:30 | 10.5 |
| 2026-04 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
| 2026-05 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
| 2026-06 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
| 2026-07 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
| 2026-08 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
| 2026-09 | 10:30 | 10:30 | 10.5 |
O SQL exato por trás de cada número
SELECT
formatDateTime(toStartOfMonth(toDate(et)), '%Y-%m') AS mes,
minIf(formatDateTime(bsb, '%H:%i'), et_min = 570) AS abertura_mais_cedo,
maxIf(formatDateTime(bsb, '%H:%i'), et_min = 570) AS abertura_mais_tarde,
round(minIf(toHour(bsb) + toMinute(bsb) / 60, et_min = 570), 2) AS abertura_em_horas
FROM
(
SELECT
toTimeZone(window_start, 'America/New_York') AS et,
toTimeZone(window_start, 'America/Sao_Paulo') AS bsb,
toHour(toTimeZone(window_start, 'America/New_York')) * 60
+ toMinute(toTimeZone(window_start, 'America/New_York')) AS et_min
FROM global_markets.delayed_stocks_minute_aggs
WHERE ticker = 'SPY'
AND window_start >= today() - 400
AND window_start < today() - 2
)
GROUP BY mes
HAVING countIf(et_min = 570) > 0
ORDER BY mesEm 2026-09, a abertura de Nova York caiu às 10:30 de Brasília. No começo da série, em 2025-08, a mesma abertura estava marcada às 10:30. Nos meses em que o horário de verão americano começa ou termina, as colunas de abertura mais cedo e mais tarde ficam diferentes entre si: o mês tem sessões abrindo nos dois horários. Para quem acompanha de Brasília, o efeito prático é simples. Em novembro a sessão americana inteira anda uma hora para a frente, e em março ela volta. O after-hours, que terminava às 21h, passa a terminar às 22h. A pergunta sobre negociar ações americanas 24 horas por dia cai bem nesse ponto: algumas corretoras esticam ainda mais a janela noturna.
Dá para operar essa janela pela sua corretora?
Aqui entra a parte que nenhum painel resolve. O acesso ao pré-mercado e ao after-hours americano depende de onde a sua ordem entra.
- Pela corretora local, comprando BDR, você negocia um recibo listado na B3. Ele segue o horário da B3, inclusive o after-market brasileiro e a trava de 2%. A ação lá fora pode estar negociando às 19h de Brasília, e o BDR não.
- Por conta em corretora americana, o acesso à sessão estendida existe, e cada casa publica a própria janela. Algumas abrem às 7h de Nova York e vão até as 20h, outras oferecem a sessão noturna completa.
Em qualquer um dos casos, um detalhe de execução pesa mais na sessão estendida do que no pregão: o tipo de ordem. Com livro fino, ordem a mercado é a forma mais rápida de comprar bem acima da tela. Ordem limitada fixa o preço máximo que você aceita pagar ou o mínimo que aceita receber, e é o tipo que a maior parte das corretoras admite nessa janela. Vale olhar o calendário também: o after-hours em feriados e vésperas de fim de semana tem regra própria.
FAQ
A que horas é o after-market da B3?
É uma janela de cerca de meia hora no começo da noite, depois do call de fechamento das 16h55 às 17h, com uma fase de cancelamento de ofertas antes dela. O horário exato consta da tabela oficial de horários de negociação da B3 e muda conforme o calendário do horário de verão dos Estados Unidos, então confirme a tabela vigente antes de enviar a ordem.
Dá para comprar ação americana depois que a B3 fecha?
Por conta em corretora americana, sim: o after-hours nos EUA segue até as 20h de Nova York, o que dá 21h de Brasília entre março e novembro e 22h no resto do ano. Por BDR na B3, não. O recibo obedece ao horário brasileiro, inclusive à faixa de 2% do after-market.
O after-hours americano também tem limite de 2%?
Não. A faixa de 2% sobre o preço de fechamento é regra da sessão estendida da B3. Na sessão estendida americana o preço não tem essa amarra, e o livro costuma ser bem mais fino que no pregão regular, como mostra o painel de spread acima.
Qual tipo de ordem funciona no horário estendido?
Ordem limitada. Ela fixa o preço que você aceita, o que pesa quando o spread está largo. Boa parte das corretoras sequer aceita ordem a mercado nessa janela.
Quanto do volume americano acontece fora do pregão regular?
Nos papéis líquidos medidos acima, a fatia negociada fora das 9h30 às 16h de Nova York ficou entre 4.84% e 15.82% do volume de cada nome. O grosso do giro continua dentro da sessão regular.
Notas de dados
- A amostra de volume por hora cobre AAPL, MSFT, NVDA, SPY e KO nos últimos 45 dias corridos, com dois dias de folga no fim da série para o atraso de ingestão.
- O painel de spread usa as cotações individuais de AAPL em 16 de setembro de 2026, sem reconstruir a melhor oferta nacional. A mediana sai de uma janela de cinco minutos no fim de cada hora.
- A conversão de fuso vem do horário de cada registro, não de uma soma fixa de horas, e por isso a virada do horário de verão americano aparece sozinha no painel mensal.
- Os horários e as regras da B3 citados aqui vêm da tabela oficial de horários de negociação e do Manual de Procedimentos Operacionais do segmento listado.
Cada painel traz o SQL exato logo abaixo dele, é só abrir. Para refazer a conta com os seus papéis e no seu horário, dá para perguntar em português direto no terminal da Strasmore.